26/05/2006
O salão do Tribunal de Júri, no Fórum de Santana do Livramento ficou praticamente lotado para a aula inaugural do 1º Curso de Preparação à Carreira do Ministério Público, dia 19 de maio. Bem mais que os 68 inscritos na primeira turma da cidade, havia professores, profissionais e estudantes de Direito presentes na palestra do diretor da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), Procurador de Justiça Luiz Fernando Calil de Freitas. O evento iniciou por volta das 20h, com um rápido discurso do promotor anfitrião José Eduardo Gonçalves. “No início parecia ser muito difícil esta conquista pela falta de clientela, mas nós fomos conversando com advogados, a Urcamp recebeu com simpatia a idéia e também conseguimos o apoio da OAB de Livramento”, disse Gonçalves.
“O curso é muito importante para a cidade porque possuímos
um número grande de alunos egressos e estamos longe de Porto Alegre.
Tudo o que pudermos fazer pelo nosso município, faremos, e tanto Urcamp
como a FMP têm a mesma finalidade: educação. Tenho certeza
que daqui alguns anos notaremos uma presença maior de santanenses como
promotores graças a este projeto”, enfatizou o coordenador do curso
de Direito da Urcamp em Livramento, José Carlos Lobato Bongers.
Os direitos fundamentais nas relações privadas
A aula inaugural do curso de extensão da FMP na cidade da Fronteira-Oeste
foi marcada pela palestra do diretor da fundação, Luiz Fernando
Calil de Freitas, sobre a “Eficácia Privada dos Direitos Fundamentais”.
O Procurador de Justiça, que iniciou sua carreira de professor universitário
justamente em Livramento, iniciou sua explanação desde o surgimento
dos direitos fundamentais do homem durante a Revolução Francesa,
o que resultou logo a seguir na criação dos Códigos. “A
Sociedade passou de um Estado Absolutista para um Estado de Direito, onde as Leis
limitam o poder do Estado”, explicou Calil de Freitas, que em seguida citou
a Revolução Copérnica dos Direitos Fundamentais – o
astrônomo Nicolau Copérnico (1473 – 1543) foi o primeiro a
dizer que a terra girava em torno do sol – no início do século
passado, como o exato momento que tais direitos passaram a receber um tratamento
privilegiado alcançando o degrau mais alto da Constituição.
“O coração da Constituição são os Direitos
Fundamentais”, disse o procurador.
Calil de Freitas mostrou aos presentes que existe uma idéia de que os Direitos
Fundamentais só se aplicam na relação entre indivíduo
e Governo, “mas, por exemplo, o 13º salário é um direito
do trabalhador, e um indivíduo particular também paga 13º ao
trabalhador”. Continuou: “Os direitos fundamentais são a proteção
dessa dignidade humana. Nas sociedades atuais, não é só o
Estado que tem poder sobre o indivíduo, há organizações
privadas que exercem esse poder. Daí a justificativa para ampliarmos os
direitos fundamentais para as relações privadas”, concluiu
o diretor da FMP sob os olhos atentos de mais de cem pessoas, entre elas, o padre
da Igreja Matriz de Sant’Ana, Fabrício do Prado Nunes. O jovem pároco
está no segundo semestre do curso de Direito na Urcamp e pretende realizar
sua tese sobre Direitos Fundamentais na relação entre indivíduo
e Estado.
Os alunos confiam que terão maiores oportunidades em concursos futuros
com a experiência que deverá adquirir e pela possibilidade de incluir
o certificado do curso na prova de títulos. A universidade participa
do convênio colocando à disposição dos alunos sua
estrutura física, biblioteca e laboratório de informática;
aulas são ministradas na Promotoria de Justiça.
