O Projeto Literatura e Direito tem como objetivo promover a discussão de temas que envolvam o Direito e suas diversas formas de influência na sociedade. Com periodicidade mensal, o debate recai sobre clássicos da Literatura que abordam questões pertinentes ao saber jurídico.
A participação é gratuita e conta como horas de atividades complementares para estudantes universitários em geral. A declaração de participação é opcional a um custo de R$ 3,00.
Público-alvo: Estudantes de graduação, pós-graduação e público em geral.
Organização: Dra. Ana Carolina da Costa e Fonseca – professora de Filosofia do Direito na FMP.
Válido como 2 horas de atividades complementares.
|
PROGRAMAÇÃO |
18/05
Título: O Deus Selvagem, de A. Alvarez
Debatedor: Éder Silveira, Doutor em História, professor da UFCSPA
|
|

|
REALIZADOS |
18/11 - Crime e castigo: Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petersburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria - grandes homens, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História.
Conferencista: FÁBIO ANDRADE. Advogado.
21/10 - Do Inferno ao Paraíso: breve viagem pela Divina Comédia, de Dante, e sua interface com o Direito
Conferencista: ANA BOFF DE GODOY. Licenciada e Mestre em Letras (Literatura) pela UFRGS.
26/8 - O diálogo dos mortos: Luciano de Samósata e o Direito
Diálogos dos Mortos (gr. Νεκρικοὶ διάλογοι) é uma das obras mais famosas e mais engraçadas de Luciano, e inspirou várias imitações durante os séculos XVII e XVIII, especialmente na Inglaterra (e.g. Lyttelton, 1760), Estados Unidos (e.g. Beasley, 1814) e na França (e.g. Fontenelle, 1683 e Fénelon, 1700). Fowler acredita que o diálogo foi escrito entre 165 e 175, alguns anos antes de sua morte. O diálogo luciânico e, em especial, o dos Mortos, é o exemplo mais acabado do gênero literário conhecido por sátira menipéia, caracterizado pela ousadia, pelos recursos cômicos (especialmente a sátira, a ironia e o ridículo), pelo contraste com os gêneros considerados "sérios" (tragédia, comédia, diálogo platônico, etc.) e pela frontal ruptura com a realidade (Bakhtin, 2000). A obra compõe-se de 30 diálogos curtos em que interagem, além de Hades (Plutão), senhor do mundo subterrâneo, Hermes, o deus que conduz os mortos ao reino de Hades e Caronte, o barqueiro que transporta os mortos através do rio Estige, algumas das figuras mais importantes e famosas da mitologia e da história da Grécia Antiga. Os diálogos giram em torno de Diógenes e de Menipo, dois falecidos filósofos da escola cínica, que constantemente questionam os outros mortos e expõem com corrosiva ironia a inconsistência de suas idéias e atitudes durante a vida. "Menipo não poupa ninguém" (Scheel, 2003).
Conferencista: EDUARDO SINKEVISQUE, bacharel e licenciado em Letras pela PUC-SP, Mestre e Doutor em Letras - Literatura Brasileira, pela USP, e pós-doutor em Teoria Literária pela UNICAMP. Atualmente, faz pós-doutorado em História - Historiografia pela UFRGS.
15/4/2011 - O surgimento do protodireito em Homero.
Embora a Odisseia de Homero seja costumeiramente lembrada como o poema que narra o retorno de Odisseu (Ulisses) para junto de sua esposa, Penélope, após enfrentar os 10 anos de duração da guerra de Troia e 10 anos de inúmeros perigos marítimos, outro tema igualmente fundamental é a vingança. De um lado, trata-se da vingança contra os pretendentes de sua mulher, que, ao pressioná-la a casar-se, dilapidam seu patrimônio, dormem com suas criadas e ameaçam seu filho, Telêmaco. Esse enredo, de fato, não é muito diferente da história de Agamêmnon, diversas vezes mencionada ao longo do poema: ao voltar para casa, o comandante do exército grego é surpreendido por uma tocaia armada por sua mulher, Clitemnestra, e seu amante Egisto. Anos depois, o filho de Agamêmnon vingará o pai, matando seus algozes. Por outro lado, o próprio Odisseu é vítima de uma vingança, aquela do deus Posêidon, que persegue o herói por este ter cegado seu filho, o ciclope Polifemo.
Comentarista: Christian Werner, graduado em Letras na UFRGS, fez sua pós-graduação (mestrado e doutorado) na USP e seu pós-doutorado na Freie Universität - Berlin. É professor de Língua e Literatura Grega na USP desde 2004. Autor de vários artigos sobre literatura, especialmente épica e tragédia, e do livro "Duas tragédias gregas: Hécuba e troianas". Recentemente, concluiu uma tradução da "Odisséia" de Homero, ainda inédita.

Leia também: Literatura e Direito