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Protodireito na obra de Homero é discutido na FMP Postado em 14 de abril de 2011, por Maria Joana Avellar. Seja o primeiro a comentar

O projeto Literatura e Direito tem como objetivo analisar clássicos da literatura que abordam questões pertinentes ao saber jurídico. O resultado das palestras são debates sobre temas que envolvem o Direito e suas infinitas formas de influência na sociedade.
Na próxima edição, que abrirá o ano de 2011, a conferência seguida de discussão será “O surgimento do protodireito em Homero”, temática desenvolvida pelo palestrante Christian Werner, graduado em Letras pela UFRGS. Com mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo e pós-doutorado na Freie Universität, em Berlin, ele leciona Língua e Literatura Grega na USP desde 2004. É autor do livro “Duas tragédias gregas: Hécuba e troianas” e concluiu uma tradução da “Odisséia” de Homero ainda inédita. A coordenação do programa é feita pela professora de Filosofia do Direito na FMP, Ana Carolina da Costa e Fonseca.

A obra
Os gregos antigos acreditavam que Homero era um indivíduo histórico, mas estudiosos modernos são céticos, já que nenhuma informação biográfica foi transmitida a partir da antiguidade clássica e seus poemas, “Odisseia” e “Ilíada”, manifestam informações de muitos séculos de história transmitidas oralmente. Muitos acreditam que não se trata de um poeta, mas de um nome construído ou de ficção.
A Odisseia, continuação da Ilíada, é um dos principais poemas épicos da Grécia Antiga. Sua influência é clara em obras como Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Ulysses, de James Joyce.
A história relata o retorno de Odisseu (ou Ulisses, como era chamado na mitologia romana), herói da Guerra de Troia, a sua terra natal, Ítaca. Depois da batalha que durou uma década, ele leva outros dez anos nessa viagem (não por acaso, longas jornadas são usualmente chamadas de Odisseias).
Como definido pelos professores Ana Carolina e Christian Werner, embora a Odisseia de Homero seja sempre lembrada como o poema que narra o retorno de Odisseu para junto de Penélope, sua esposa, outro tema fundamental presente na narrativa é a vingança. De um lado, a vingança contra os pretendentes de sua mulher, que a pressionam para casar, ameaçam seu filho, Telêmaco, destroem seu patrimônio e dormem com suas criadas. Por outro lado, o próprio Odisseu é vítima de uma vingança, aquela do deus Posêidon, que persegue o herói por ter cegado seu filho, Polifemo.
Dentro desse enredo, apresentam-se sinais de protodireito. Como explica a professora Ana Carolina, protodireito não é um direito estabelecido como nós entedemos no presente, é aquilo que, quando nós olhamos para o passado, reconhecemos como os primeiros sinais de que o Direito iria se estabelecer. “Na obra, existe um tribunal, a tentativa de usar regras, mesmo que elas nao tenham um caráter jurídico. É uma forma de Direito primitivo, não institucionalizado”, esclarece.
A obra permanece sendo lida no mundo inteiro, tanto no idioma original, o grego homérico, quanto nas traduções. O poema foi escrito seguindo a tradição oral, em um dialeto poético que não pertence a nenhuma região. Embora muitos debates calorosos refiram-se sempre à parte linguística, no encontro em questão serão discutidos detalhes da trama, que surpreende por ser moderna em sua ausência de linearidade. Só se conservam elementos concretos, não há análise nem comentários. O discurso direto antecede o teatro – ainda não havia análise psicológica nem análise do mundo inteirior. Os eventos narrados dependem das ações dos guerreiros, mulheres, escravos e criados presentes na trama.

O surgimento do protodireito em Homero
Quando: 15/4/2011, das 11h30min às 13h
Onde: Sala 5, 7º andar, FMP.
Público-alvo: Estudantes de graduação e pós-graduação, especialmente, da FMP e público em geral.
A atividade será gratuita e contará como horas de atividades complementares para estudantes universitários em geral. Atestado de participação serão fornecidos pela FMP a um custo de R$ 3,00.

Filme Crime e Castigo inspira debate jurídico Postado em 3 de novembro de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

Libere um espaço na sua agenda para conferir uma ótima atividade de extensão. No sábado, 6 de novembro, a FMP exibe o filme “Crime e Castigo”, às 14h30, no Palácio do MP. Após a sessão, a professora e doutora em filosofia Ana Carolina da Costa e Fonseca irá conduzir um bate-papo a respeito do filme. Para participar da atividade é preciso se inscrever, então clique aqui.

Na condição de um dos maiores romances de todos os tempos, “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski, já foi levado algumas vezes para o cinema. Neste sábado, você irá conhecer a adaptação realizada pela BBC. Filmada em São Petersburgo, esta versão foi saudada pela fidelidade ao texto original do livro. O ator John Simms interpreta Raskolnikov, um homem que convence a si mesmo a cometer um assassinato desenvolvendo uma série de argumentos para justificar o crime. Aqui há, sem dúvida, muito material para uma discussão relacionada ao Direito, à Psicologia e à Filosofia. O próprio Dostoiévski foi punido pela Lei: envolveu-se com um grupo socialista radical e, como consequência,  foi mantido em exílio na Sibéria durante quatro anos.

Assista ao trailer do filme:

A sessão de “Crime e Castigo” encerra o ciclo Cinema e Direito em 2010. Não deixe de comparecer ao debate em torno do livro “Diário de Um Ano Ruim”, de J. M. Coetzee. O Dr. Luiz Fernando Calil de Freitas apresentará a obra no dia 19 de novembro, às 11h43, na sala F3. Clique aqui para ler a resenha do livro escrita pelo professor especialmente para o Blog da FMP.

“O Estrangeiro” inaugura o ciclo Literatura e Direito Postado em 26 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

O célebre romance “O Estrangeiro”, do escritor franco-argelino Albert Camus, é construído em torno de um protagonista que está sendo julgado pelo assassinato de um homem. A influência da obra está nas músicas, nos filmes, e vai muito além. Há muito o que falar sobre o livro e, por isso, ele abre o ciclo “Literatura e Direito” deste semestre. A Profa. Dra. Ana Carolina da Costa e Fonseca vai comentar a obra nesta sexta-feira (27/09), às 11h45, na sala F3. Clique aqui para se inscrever.

“O Estrangeiro” é um livro permeado pela filosofia do absurdo, desenvolvida por Camus em vários momentos da sua carreira. Logo no início da história, o protagonista Meursault perde sua mãe. Pouco depois, ele assassina um árabe em circunstâncias ambíguas e vai a julgamento. “Houve uma briga, portanto existia a possibilidade da legítima defesa, o dia estava muito quente, o personagem principal estava perturbado. Mas nada disso é discutido no julgamento”, aponta a professora Ana Carolina.

Durante o julgamento de  Meursault, as atenções se voltam ao comportamento do réu, que parece indiferente com relação a tudo e que, segundo outra personagem, “sequer havia chorado no enterro da mãe”. “O foco da discussão deixa de ser a morte, passa a ser a indiferença que ele tem com relação a tudo e ele acaba sendo condenado por essa indiferença”, denota a professora, que pretende discutir as razões pelas quais se condena alguém.

O ciclo “Literatura e Direito” vai trazer à FMP convidados especiais e professores com o objetivo de debater livros importantes relacionados ao universo do Direito.  O programa deste semestre prevê um encontro por mês (em novembro a data ainda está indefinida). Confira:

Clique no quadro para se inscrever