Profissão: Juiz de Direito Postado em 23 de fevereiro de 2011, por . 3 comentários

As gramáticas definem o termo juiz como “um cidadão investido de autoridade pública com o poder para exercer a atividade jurisdicional, julgando os conflitos de interesse que são submetidos à sua apreciação”. Até aí, parece fácil entender. Acontece que a profissão envolve muitas questões e, para esclarecer os estudantes interessados na carreira, o Blog da FMP recorreu à experiência do magistrado Ricardo Pippi Schmidt. Juiz de Direito há 25 anos, Schmidt exerce atualmente em Porto Alegre, onde é diretor da Escola Superior da Magistratura (ESM) da Ajuris, professor na ESM e na FMP.

“É um agente de poder que deve assumir o protagonismo e a responsabilidade que lhe cabe de atuar, não só em nome do Estado, mas da própria sociedade”, observa o magistrado sobre a profissão, completando: “No final de cada dia, o sentimento de que conflitos foram solucionados e de que a justiça foi feita é o que vale a pena”. A entrevista abaixo contém valiosos ensinamentos para aqueles buscam informações porque pretendem seguir a carreira. Quem procura saber mais sobre outras áreas jurídicas, pode ler as demais matérias da série sobre profissões já publicadas no blog: Advogado, Delegado de Polícia e Promotor de Justiça.

Quais são as principais responsabilidades e atribuições que um juiz pode acumular?

O Juiz estadual que assume em uma comarca pequena acumula várias atribuições. É o Juiz com competência na área cível e criminal e, além disso, é também o Juiz da Infância e Juventude, das Execuções Criminais (nas comarcas onde há presídio), além de exercer as funções de Diretor do Foro, representante do Poder Judiciário naquela localidade, e ainda Juiz Eleitoral, responsável pelas eleições dos municípios que compreendem a comarca. Além da jurisdição, que envolve todas essas atividades, o Juiz só pode acumular o cargo de Professor.

Quais são os maiores desafios dos juízes atualmente?

O maior desafio do juiz moderno é o de enfrentar o número crescente de novas demandas, sendo eficiente na prestação jurisdicional e mantendo a qualidade das decisões, para o que deve estar atualizado. Para tal, é preciso ser inovador e se desapegar das velhas práticas formalistas, compreendendo que o processo moderno requer do magistrado uma postura mais pró-ativa, principalmente na função de gestor da sua unidade.

Qual a maior satisfação de ser juiz, na sua opinião? Em outras palavras: o que faz tudo valer a pena ao final do dia?

No dia a dia, a satisfação de ser Juiz está na possibilidade de mudar a vida das pessoas que acorrem ao Judiciário, através de uma justa solução para os seus problemas, o que, em muitos casos, envolve aproximação das partes para que elas cheguem a um acordo. Eventualmente, também e cada vez mais, temos a possibilidade de soluções coletivas para os conflitos coletivos e individuais homogêneos que nos chegam através das ações civis públicas. No final de cada dia, o sentimento de que conflitos foram solucionados e de que a justiça foi feita é o que vale a pena.

Em termos práticos, cite um mito e uma verdade sobre a carreira.

Mito é de que a magistratura é sacerdócio. Não é e nem deve ser. Magistratura é profissão cujo cargo é conquistado com muito esforço, após um concurso difícil e criterioso. Isso não significa dizer que o Juiz seja apenas mais um funcionário público, pois é muito mais do que isso: é um agente de poder que deve assumir o protagonismo e a responsabilidade que lhe cabe de atuar, não só em nome do Estado, mas da própria sociedade, fazendo justiça e gerindo a sua unidade com eficiência, probidade e dedicação, prestando um serviço público relevante e que deve ser efetivo para a cidadania.

A televisão e o cinema costumam mostrar a atuação do juiz no tribunal de uma forma bastante romantizada. Tem algum filme, livro ou programa de TV que se aproxime mais da realidade e que o senhor indicaria?

Indico dois clássicos: o filme 12 homens e uma sentença, dirigido por Sidney Lumet, e o livro O Processo, de Franz Kafka.

Com relação ao mercado de trabalho: sabe-se que há um déficit de magistrados no Brasil. Isso é bom ou ruim para quem está entrando na profissão?

A falta de magistrados é ruim para a sociedade, porque ainda não inventaram máquinas de julgar. Então, se não houver o Juiz, ser humano a quem é atribuída essa difícil tarefa, o resultado será a demora na prestação jurisdicional. Não basta, todavia, simplesmente aumentar o número de juízes. Há que se dar estrutura adequada e, fundamentalmente, selecionar os operadores do direito mais preparados e vocacionados para essa difícil, mas gratificante, tarefa de julgar.

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Existem 3 comentários

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Bruna Lima, FMP. FMP said: Quer saber mais sobre a profissão de Juiz de Direito? Uma entrevista bacana e cheia de ensinamentos no blog: http://bit.ly/hvjnU1 [...]

  2. janaina maio 25, 2011 23:14

    eu adorei o site , quero dizer que fiquei mais aliviada com algumas respostas , meu coração pede para fazer direito , minha razão pede para me forma em medicina….eu além de estar com essa dúvida, minha irmã quer que eu faço o que mais de dinheiro , não sei se posso fazer isso, as vezes penso em não fazer nenhum dos dois e desistir de tudo , mais vou tentar direito mesmo porque eu sei que vou amar essa carreira mesmo com algumas dificuldades quem vem pela frente!
    Beijos agredeço muito por esse site …..tchau!

  3. railson bruno correa brito outubro 31, 2011 15:14

    eu achei esta publicaçao uma coisa bem legal que explica como é dificio ser juiz de direito