O be-a-bá da Psicologia Jurídica, por Carmen Welter Postado em 1 de setembro de 2010, por Luiza Piffero. 2 comentários

Neste semestre, a psicóloga Carmen Welter é uma das novidades no quadro docente da graduação. Ela vem ministrar a disciplina de Psicologia Jurídica, do segundo semestre, em substituição de uma professora em licença-maternidade. Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995), sua especialidade é a psicoterapia de crianças e adolescentes. Atualmente, está envolvida com o doutorado em Psicologia, ênfase em Psicologia Forense, na Universidade de Coimbra (Portugal). Ela também integra o Grupo de Pesquisa em Processos Cognitivos do Programa de Pós-Graduação da PUCRS. É psicóloga do Ministério Público do Rio Grande do Sul (2000), além de atuar em clínica privada.

Leia a nossa entrevista com a nova professora Carmen Welter, mas antes conheça bem a Psicologia Jurídica. Abaixo, a professora apresenta e comenta os  conteúdos da disciplina:

a) O plano de ensino começa definindo a psicologia juridica, um campo muito específico e novo no Brasil, vemos como ela surgiu, a diferença entre este e outros campos, como a psicologia clínica, por exemplo.

b) Depois, entramos no tema da perícia psicológica.

c) O próximo passo é abordar o modelo da psicologia do testemunho, que é extremamente pouco desenvido no Brasil, mas muito avançado nos EUA, na Alemanha, na Inglaterra.

d) Após, eu vou trazer os estudos científicos da psicologia cognitiva, principalmente no que se refere ao funcionamento da memória humana, os tipos de erros e falhas aos quais estamos mais sujeitos.

e) Veremos técnicas de entrevista investigativa para coletar testemunhos com vítimas, testemunhas e suspeitos. Assim como técnicas para avaliar a credibilidade da testemunha e assuntos relacionados à memória do reconhecimento.

f) Haverá também matérias relacionadas ao Direito de Família (adoção, guarda, visitas), o desenvolvimento de crianças e adolescentes, situações de maus tratos. Tudo isso sob o ponto de vista da perícia psicológica e do depoimento das crianças sobre esses fatos. Aí também está inclusa a questão do depoimento sem dano.

g) A violência contra a mulher.

h) Há um módulo sobre comportamento perigoso, avaliação de periculosidade.

i) Por fim, intervenções em psicologia jurídica e a reflexão a respeito de alternativas para a execução penal. Como intervir socialmente para se diminuir a reincidência? Isso tudo será visto a partir de trabalhos que tem sido realizados e casos de outros países.

Carmen, aponte um dos seus objetivos neste semestre.

Eu estou procurando fazer com que os estudantes pensem na psicologia enquanto operadores jurídicos. Mostrar como eles podem acessar estes conhecimentos específicos, reforçar a capacidade crítica e mostrar que este tipo de conhecimento se constrói com base em pesquisa. Os trabalhos precisam ser fundamentados em estudo.

Fale sobre ti, o teu trabalho fora da FMP e quais são as tuas principais atividades no dia a dia?

Sou psicóloga do Ministério Público do RS há 10 anos. Minhas atividades podem ser organizadas em dois tipos:
•    avaliação funcional (perícia funcional) – avaliação de todas as pessoas que vão ingressar no MP – desde o auxiliar administrativo até o promotor de justiça, todos passam por aqui.
•    psicologia de justiça – assessoramento técnico – avaliação de capacidade civil, promotorias criminais, assessoria em algum caso de júri.

É um trabalho bem diverso. Agora, por exemplo, estamos avaliando os candidatos a promotor que participaram do mais recente concurso.

Quais as questões que mais te instigam atualmente?

Eu estou fazendo um doutorado em Psicologia Forense, a respeito da memória das crianças. No final deste ano, vou defender a minha tese na Universidade de Coimbra.

Conte uma lição que tu aprendeste e que deseja repassar aos alunos.

Eu acho que, a experiência de morar fora é importante. Além disso, ao investigar áreas novas de conhecimento, o respeito é essencial para poder se abrir, ver e ouvir as coisas que existem. O respeito e o conhecimento andam juntos e na contramão do preconceito. É preciso ter flexibilidade na vida, tolerar diferenças. Também é importante desenvolver valores como a solidariedade, algo que até soa meio antigo hoje. Eu acho que vivemos um momento de vazio muito grande de valores. A gente tem um compromisso com um bem maior.

Fora da tua área de atuação, quais são as tuas paixões?

Eu gosto muito de cinema, literatura, arte, e de tudo que lida com a criatividade.

O que tu fazes no teu tempo livre?

É muito pouco porque eu também tenho uma clínica privada. Tenho três filhos, então passo o tempo com eles, que têm 7, 8 e 11 anos.

Indica um livro ou um filme para os alunos.

O programa de aula tem algumas boas sugestões de filmes. Eu citaria “Preciosa”, que tem a ver com os temas da aula,  assim como “Um sonho possível” e “Desejo e Reparação”.

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Existem 2 comentários

  1. Diego De Los Santos setembro 2, 2010 18:03

    “… em substituição de uma professora em licença-maternidade.” Ficaria mais elegante citar o nome da professora Débora Oliveira, não? Em todo caso, parabéns e sucesso para professora Carmem Welter.

  2. Fabio Pereira dezembro 11, 2010 21:50

    Sra. Carmen Welter,

    Gostaria de saber se seria possivel a senhora dar um parecer de uma gravação colhida pelo pai ao seu filho de apenas 6 anos, sendo que nelas constam relatos de maus tratos, sofridos por sua genitora e atual companheiro.

    A soma de todas as gravações (8), não tem mais de 9 minutos.

    No aguardo,

    Att.

    Fabio Pereira.