Arquivo de agosto, 2010.

De malas prontas para Lisboa Postado em 30 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. 3 comentários

Dois ex-alunos da FMP estão com passagem marcada para a capital portuguesa. Paula Bittencourt Orsi e Felipe Hochscheit Kreutz tiveram seus projetos de mestrado selecionados pelo Colégio de Diretores de Escolas dos Ministérios Públicos do Brasil (CDEMP), que vai lhes conferir bolsas de estudo para a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Eles partem em outubro para uma temporada de um ano de estudos no campo das ciências criminais.

A promotora de justiça Paula, 32 anos, frequentou vários cursos na FMP buscando atualização profissional. “Foram muito importantes no meu dia a dia como promotora”, salienta ela. A busca por qualificação agora vai levá-la a Lisboa, onde ela pretende buscar um aprimoramento da legislação e do tratamento que as instituições dão à violência doméstica e à proteção da mulher. “Não obstante a Lei Maria da Penha, os casos seguem crescendo”, afirma a pesquisadora, que irá fazer um estudo comparado entre Brasil e Portugal. “As estatísticas de Portugal são bem preocupantes também, a violência doméstica é o quarto crime mais cometido no país”, acrescenta ela.

Aluno de dois cursos preparatórios da FMP, Felipe Hochscheit Kreutz, 35 anos, passou em concurso e hoje trabalha na procuradoria de prefeitos — setor do Ministério Público que investiga e acompanha processos criminais contra prefeitos. “Fizemos uma avaliação no primeiro dia de aula e outra no último e eu vi a mudança, os cursos de prática de tribuna e de prova escrita foram imprescindíveis para a minha aprovação”, lembra o ex-aluno. Agora ele se lança em outro desafio: “Vou analisar a lei da Ficha Limpa a luz do princípio da presunção da inocência. É um assunto que tem sido questionado nos tribunais e vai amadurecer muito até as próximas eleições”, explica ele, que espera aproveitar bastante os estudos no seu dia a dia na procuradoria.

Visite o site do CDEMP para saber mais sobre a seleção para bolsas de mestrado e doutorado.

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Você já tem a carteira de estagiário da Ordem? Postado em 27 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. 3 comentários

Todos os meses, a OAB-RS concede a carteira de estágio a um grupo de universitários. É a porta de entrada deles para dentro da organização e a possibilidade de assomar diversos benefícios como elaborar peças processuais (com orientação de advogado), participar de audiências e retirar processos do fórum.

O aluno do 8° semestre da FMP Fabiano Brandão Young com a carteira de estagiário da OAB

Fabiano Brandão Young, aluno do 8° semestre da graduação, mostra a sua carteira de estagiário da OAB

Em uma cerimônia presidida pela secretária-geral da OAB-RS, Sulamita Santos Cabral, o aluno da FMP Fabiano Brandão Young, foi compromissado em junho deste ano. “Foi bem simples, o pessoal da OAB fez um discurso, um dos estagiários fez o discurso de juramento e os outros repetiram, depois fomos um por um receber a carteira”, conta Fabiano, que está no 8° semestre. Atualmente, ele utiliza a carteira no seu dia a dia como estagiário de um escritório de advocacia.

De acordo com o Art. 29 do Regulamento Geral da OAB, o estagiário inscrito na OAB pode praticar diversas atividades em conjunto com o advogado ou com o defensor público. Isoladamente, no entanto, ele pode praticar os seguintes atos, sob a responsabilidade do advogado:

I – retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva carga;
II – obter junto aos escrivães e chefes de secretarias certidões de peças ou autos de processos em curso ou findos;
III – assinar petições de juntada de documentos a processos judiciais ou administrativos.

Além disso, para o exercício de atos extrajudiciais, o estagiário pode comparecer isoladamente, quando receber autorização ou substabelecimento do advogado.

O cartão de identidade do estagiário tem modelo e conteúdo idêntido ao que pertence ao advogado. Seu prazo de validade não pode ultrapassar três anos nem ser prorrogado. Fabiano explica que é possível requerer a carteira de estagiário a qualquer momento do ano, contanto que você já tenha cursado 50% da faculdade de Direito e possua prática jurídica. “Tive que juntar toda a documentação pessoal e da faculdade, tirar uma foto e pagar uma taxa.” Se você também quer fazer a sua, inscreva-se na OAB Serviços (Rua Vicente de Paula Dutra, 236). Para saber mais, ligue (51) 3284-6400 ou acesse http://www.oabrs.org.br/oab_servicos.php

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“O Estrangeiro” inaugura o ciclo Literatura e Direito Postado em 26 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

O célebre romance “O Estrangeiro”, do escritor franco-argelino Albert Camus, é construído em torno de um protagonista que está sendo julgado pelo assassinato de um homem. A influência da obra está nas músicas, nos filmes, e vai muito além. Há muito o que falar sobre o livro e, por isso, ele abre o ciclo “Literatura e Direito” deste semestre. A Profa. Dra. Ana Carolina da Costa e Fonseca vai comentar a obra nesta sexta-feira (27/09), às 11h45, na sala F3. Clique aqui para se inscrever.

“O Estrangeiro” é um livro permeado pela filosofia do absurdo, desenvolvida por Camus em vários momentos da sua carreira. Logo no início da história, o protagonista Meursault perde sua mãe. Pouco depois, ele assassina um árabe em circunstâncias ambíguas e vai a julgamento. “Houve uma briga, portanto existia a possibilidade da legítima defesa, o dia estava muito quente, o personagem principal estava perturbado. Mas nada disso é discutido no julgamento”, aponta a professora Ana Carolina.

Durante o julgamento de  Meursault, as atenções se voltam ao comportamento do réu, que parece indiferente com relação a tudo e que, segundo outra personagem, “sequer havia chorado no enterro da mãe”. “O foco da discussão deixa de ser a morte, passa a ser a indiferença que ele tem com relação a tudo e ele acaba sendo condenado por essa indiferença”, denota a professora, que pretende discutir as razões pelas quais se condena alguém.

O ciclo “Literatura e Direito” vai trazer à FMP convidados especiais e professores com o objetivo de debater livros importantes relacionados ao universo do Direito.  O programa deste semestre prevê um encontro por mês (em novembro a data ainda está indefinida). Confira:

Clique no quadro para se inscrever

Última chamada para o grupo de pesquisa em Bioética e Biodireito Postado em 24 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. 1 comentário

Os debates acerca da bioética trafegam livres pela a biologia, a medicina e a filosofia. Polêmico por natureza, esse campo de estudo desemboca no biodireito, que deve se ocupar de questões nas quais não há um consenso moral como a clonagem, o aborto, a eutanásia, as pesquisas com células tronco, os transgênicos e outros assuntos. Para dar conta da complexidade desse campo, só mesmo estudando. Agora os alunos da FMP tem uma ótima oportunidade para fazer isso: o grupo de estudo “Bioética e Biodireito”. As inscrições estão abertas, mas, somente até amanhã (25/08). Portanto, se você tem interesse,  clique aqui para se inscrever.

A professora Ana Carolina da Costa e Fonseca faz questão de esclarecer quem pode participar: “Há vagas  destinadas para alunos dos últimos semestres, mas os alunos no início do curso também podem se inscrever, assim como os da pós. O grupo de pesquisa não tem pré-requisitos”. Ana é doutora em filosofia, e acaba de voltar de Cingapura, onde frequentou o X Congresso Mundial de Bioética. Sob a sua orientação, dez alunos irão compreender as principais questões de bioética e biodireito discutidas no País e, em segundo momento, discutir jusfilosoficamente os problemas destas questões. O projeto, interdisciplinar, vai buscar diferentes perspectivas ao envolver alunos e professores do Direito e das Ciências da Saúde.

Acesse o Edital do grupo de pesquisa para conhecer todos os detalhes.

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Bixos participam de trote solidário Postado em 20 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

A recepção dos novos alunos da graduação da FMP se estendeu pelo mês de agosto e culminou no Trote Solidário. Após receberem o manual do bixo e serem vítimas de uma “pegadinha” na qual um aluno se passou por professor, os calouros tiveram uma oportunidade única de integração no dia 12 de agosto. Já com seu padrinho definido, cada bixo foi pintado e recebeu uma cartilha sobre o voto consciente para distribuir no centro da cidade.

Cerca de 15 bixos e 15 padrinhos, além dos membros do centro acadêmico, rumaram para a Esquina Democrática com 500 panfletos. “O objetivo era convencer as pessoas que o o voto delas é importante para o futuro do país, que devem votar não por votar, mas pesquisar sobre o candidato, ver se ele é honesto”, explicou Matheus Affonso, o presidente do Centro Acadêmico. A partir desse evento, ideia é consolidar o trote solidário como uma tradição na FMP. “O pessoal gostou bastante e foi uma forma de integração. Alguns padrinhos da manhã já estão entrosados com os bixos”, complementa Matheus.

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“1984” inaugura série de encontros Cinema e Direito Postado em 19 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. 1 comentário

Cena de "1984", adaptação cinematográfica da obra definitiva de George Orwell

Você provavelmente já ouviu muitas referências a “1984”, a obra definitiva de George Orwell. As ideias presentes no livro, escrito em 1948, permanecem instigantes até hoje. Com a chegada do emblemático ano do título, o diretor inglês Michael Radford se propôs a levá-lo para as telas de cinema. Embora não consiga apresentar todas as provocações filosóficas do livro, o filme reproduz a realidade perturbadora criada por Orwell e a poderosa crítica ao totalitarismo que ela contém. É por isso que, neste sábado (21/08), o longa-metragem abre a série de encontros “Cinema e Direito” deste semestre. O professor Gabriel Goldmeier, do departamento de Filosofia da UFRGS, estará no Palácio do MP para comentar o longa-metragem.

O cenário da história é um mundo que, após uma Guerra Atômica, está dividido em três grandes estados. O protagonista Winston Smith vive em um deles, a Oceania, onde todos os cidadãos devem obedecer ao rígido controle de um partido. “A minha palestra vai se focar muito na crítica à tentativa de controle das massas através da repressão e da manipulação”, antecipa Goldmeier.  As impressões deixadas pelo filme e a reflexão em torno da Novilíngua também serão o ponto de partida de duas questões muito sutis: “A possibilidade de alteração do passado e a disputa entre as idéias de indivíduo e o corpo social como fundamento último da Política”, explica o professor.

Uma vez por mês, até o final do ano, os alunos da FMP estão convidados a assistir um filme e debater as questões levantadas pela obra com um convidado especial. Confira o programa deste semestre e clique na imagem para se inscrever:

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Ana Redecker, apaixonada por Direito Empresarial Postado em 17 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. 2 comentários

A nova professora de Direito Empresarial da FMP, Ana Claudia Redecker, e sua filha, Sophia

A nova professora de Direito Empresarial, Ana Cláudia Redecker, e sua filha, Sophia

Ana Cláudia Redecker recém aportou na FMP. Ela chegou aqui para lecionar a disciplina Empresarial II, do 9° semestre da graduação. Deixemos que ela mesma defina o objeto de estudo: “O Direito Empresarial regula a atuação do empresário e das sociedades empresárias. No entanto, também existem matérias como títulos, que nasceram com o direito empresarial – o antigo direito comercial –, mas afetam todos porque todos assinam cheques, notas promissórias”.

Ana é graduada em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1993), Especialista em Ciências Políticas (1995) e Mestre em Direito pela mesma instituição (2000). Atualmente, escreve a tese de doutorado em ciências jurídico-econômicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, leciona direito empresarial na PUCRS e no IDC, e ainda é a advogada responsável para área societária nas firmas Campos Advocacia Empresarial e Pandolfo Advogados Associados.

Fomos além do currículo para conhecer a Ana Cláudia melhor:

Tu já tinhas alguma relação com a FMP?

Não, mas há cerca de 3 anos eu fiz uma palestra sobre a então nova Lei de Falências.

Quais são as tuas expectativas aqui?

Acredito que vamos ter um ambiente muito produtivo porque a turma é pequena e, os alunos, muito interessados.

Fala para a gente sobre a disciplina, a tua proposta de ensino, quais conteúdos serão privilegiados…

Vamos trabalhar títulos de crédito, a teoria e análise de decisões judiciais, e posteriormente a falência e a recuperação de empresas.

E o que tu mais gostas no Direito Empresarial, por que tu enveredaste por esta área?

Sou apaixonada pelo direito empresarial como um todo. Gosto mais da parte societária e  títulos de falência. Como advogada, trabalho principalmente na área societária, que é uma área dinâmica apesar de não ter uma modificação legislativa tão dinâmica.

Como é o teu dia a dia na Campos Advocacia Empresarial e na Pandolfo Advogados Associados?

Eu trato de alterações contratuais e planejamento societário. É um trabalho consultivo de advocacia preventiva, portanto eu não frequento muito o fórum, por exemplo.

Como a tua rotina como advogada influi nas aulas?

Gosto muito da docência, mas acredito que sem a prática, principalmente nesta área, é muito difícil, senão impossivel. Os escritórios permitem transpor a parte prática para a faculdade e a faculdade me dá a base teórica para o escritório.

Quais as questões que mais te instigam atualmente?

Eu estou escrevendo a minha tese de doutorado na Universidade de Lisboa que envolve a análise econômica da recuperação de empresas, a recuperação judicial.

Antes de ser professora, tu tens que ser aluna por muito tempo. Que tipo de aluna tu eras na faculdade e depois em outras formações que tu continuaste perseguindo?

Sempre fui muito “cdf”, muito aplicada, porque eu gosto muito de estudar. Eu sempre estudei, mas quando comecei um curso de especialização eu estava mais madura, (23, 24 anos) e efetivamente percebi o quão prazeroso é o estudo.

Qual o conselho que tu gostarias de ter recebido como estudante?

Sobre a importância do direito comparado. Às vezes a gente acha que vive só num mundo. Mas as coisas estão cada vez mais interligadas e é importante trabalhar o direito não só como brasileiro, mas interligado com outras visões de direito. O direito europeu, americano. Na faculdade, a limitação de tempo faz com que tu fiques muito focado no direito brasileiro.

Aproveitando que tu retornaste há pouco de Portugal: podes fazer uma comparação entre o Direito Português e o Brasileiro?

O Direito Português é muito parecido com o nosso. Em termos de direito empresarial, ambos seguem praticamente a mesma linha, com exceção do direito falimentar e de recuperação de empresas. Em Portugal, o credor também pode requerer a recuperação do seu devedor. Enquanto no Brasil se defende mais a propriedade, lá, a orientação é mais social, portanto o credor pode interferir na esfera privada.

Por último: O que tu fazes com o teu tempo livre?

Eu curto a minha filha Sophia, que está com 1 ano e nove meses. Corro muito atrás dela…

Professora lança obra pioneira em Direito Urbanístico Postado em 13 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. 1 comentário

O ramo do Direito Público focado na produção das cidades – ou seja, as normas referentes a utilização do solo, a altura das edificações, usos permitidos em cada zona da cidade, etc. – já conta com um grande volume de leis. Paradoxalmente, a bibliografia do Direito Urbanístico é escassa. Essa discrepância acaba de ser reduzida com o lançamento da “Coletânea de Legislação Urbanística”, organizada pelos juristas e urbanistas Betânia Alfonsin e Edésio Fernandes, que colaboram em um livro pela sexta vez.

A obra finalmente preenche uma lacuna importante do Direito Público brasileiro. Trata-se da primeira vez em que é publicada uma coletânea de legislação urbanística. “Esta é, sem dúvida, uma disciplina nova e uma das nossas ideias foi mostrar que, em que pese haver pouca literatura sobre o assunto, já existe um corpo legislativo muito grande no qual o Estatuto da Cidade (2001) é o ponto principal”, resume Betânia, que leciona na FMP. Segundo a professora, um dos grandes diferenciais do livro é ir além do agrupamento da legislação – como é de praxe nas coletâneas – para relatar a os princípios, o objeto e a história da disciplina no Brasil.

A nova ordem jurídico-urbanística tem sido muito enriquecida nos últimos anos. Um exemplo apontado por Betânia é a recente regulamentação do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal, e a regularização fundiária, relativa a política pública de regularizar e integrar as favelas brasileiras. “O Brasil tem um déficit de mais de 7 milhões de unidades habitacionais, o que acarreta um número muito maior de pessoas sem moradia ou vivendo em moradia precária”, complementa a autora.

O crescente número de leis promulgadas, no entanto, veio acompanhado de obstáculos. Portanto, ao escrever um marco teórico da área, os autores não deixaram de apontar alguns atuais desafios, inclusive de ordem cultural: “O Brasil tem uma tradição muito forte em direito privado. O direito à propriedade tem um peso enorme no imaginário político corrente. Mas se cada proprietário fizer o que quiser é impossível garantir o direito de moradia a todas as pessoas”, conclui a jurista.

Mais detalhes sobre o livro no site da Editora Fórum.

Dica de leitura: O Diário de Um Ano Ruim Postado em 12 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

O pensamento jurídico está longe de marcar presença somente nos livros especializados. A série de encontros “Literatura e Direito” está aí para provar isso. Empolgado com o último livro que leu, agora o professor Luiz Fernando Calil de Freitas vem reforçar esse ponto de vista. No texto abaixo, o procurador de justiça e presidente da FMP fala sobre o romance que inspirou nele a reflexão sobre relevantes temas jurídicos.

Diário de um ano ruim, livro de J. M. Coetzee

(Ed. Companhia das Letras)

“O autor é sul-africano, embora viva desde 2002 na Austrália, tendo recebido o premo Nobel de Literatura em 2003. O livro é surpreendente por dois motivos que são aqueles que justamente, fazem de um livro bom ou não: o conteúdo e a forma, no caso a linguagem e a estrutura do texto. No que diz respeito ao conteúdo, trata-se da história de um provecto escritor, já famoso vencedor do Nobel de Literatura que é contratado por uma editora para escrever, junto com outras personalidades de variadas nacionalidades, textos com suas “opiniões fortes” sobre temas que considere relevantes. O escritor contrata uma jovem e exuberante mulher que mora no mesmo prédio para digitar os textos e eles passam a manter um estranho relacionamento em que ela se espanta com sua rigidez moral enquanto ele fica impressionado com a futilidade da mulher. O escritor admira incondicionalmente o corpo da mulher mantendo-se, contudo, absolutamente distante e alheio a qualquer possibilidade de manter relacionamento mais íntimo com ela. A mulher tem um companheiro que deixou a família para viver com ela e que pretende aplicar um golpe no escritor transferindo para seu nome aplicações financeiras dele. A trama evolui para que o leitor seja colocado diante de vários dilemas morais contemporâneos. Quanto à forma, o livro é surpreendente porque pelo menos em dois terços possui, concomitantemente, três narradores que falam na primeira pessoa: o escritor, em maior extensão, a mulher em pequenos textos e seu companheiro em parcela bem menor. Trata-se de um ótimo livro que, na linguagem leve e acessível do romance, permite ao leitor refletir sobre temas jurídicos, econômicos e éticos a partir de situações muito típicas da contemporaneidade.”

Luiz Fernando Calil de Freitas

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Profissão: Advogado Postado em 10 de agosto de 2010, por Luiza Piffero. 4 comentários

Pode ser difícil falar da advocacia, uma profissão que oferece tantos caminhos diferentes. Mas o professor Norberto Flach topou o desafio e respondeu uma série de perguntas sobre a rotina e o campo de atuação desse profissional. Mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele foi professor de Direito Penal por duas décadas e atualmente leciona Hermenêutica Jurídica e Ética Profissional na Fundação do Ministério Público. Como advogado, atua em matéria criminal e administrativo-sancionadora. Aproveite a entrevista abaixo na qual cada questão contém – no mínimo – uma valiosa lição para quem ambiciona uma carreira na área:

Como é o teu dia a dia como advogado? Quais são as tuas principais atividades diárias?

A rotina do advogado pode variar muito, dependendo do ramo de atuação, perfil do escritório, divisão de tarefas entre os profissionais etc. Mas no meu caso, em que a atuação é em direito criminal e administrativo, geralmente envolve muito trabalho no escritório (análise de processos; estudo de teses; conversas de trabalho com colegas; atendimento de consultas, pessoalmente, ou por e-mail e telefone) e, menos frequentemente, idas ao Foro, para audiências e consultas a processos em cartório.

Às vezes a gente se distrai com compromissos urgentes e esquece o que é realmente importante. O que um advogado precisa ter sempre em mente?

No dia a dia, é essencial não deixar tarefas acumuladas e atrasadas; aproveitar cada caso para estudar e aprender sempre mais; não colocar em segundo plano questões de gestão e organização do escritório; pensar que o sucesso, em qualquer carreira jurídica, vem a longo prazo, mas, depois de consolidado, tende a se manter ou aumentar.

Onde pode atuar um advogado?

Deveríamos falar em “carreiras” de advogado, pois existem vários caminhos: a advocacia liberal clássica (em escritório individual, familiar ou compartilhado com poucos colegas), a advocacia em grandes escritórios, a advocacia “de partido” (no departamento jurídico de empresas ou instituições civis), ou a advocacia pública (nas diversas Procuradorias: do Município, do Estado, da União etc). Cada uma destas carreiras tem as suas peculiaridades, com grande diversidade de exigências, que vão das relações sociais e acadêmicas (caso da advocacia privada) ao concurso público (para as carreiras de Estado). O bom proveito e desempenho acadêmico, bem como a aprovação na prova da OAB, são condições para qualquer um destes caminhos. Fora disso, qualquer um poderá obter proveito de sua formação jurídica em muitos outros contextos profissionais, mas não será, propriamente, um “advogado”.

Quais as particularidades de atuar na área privada?

Na advocacia pública as carreiras são estáveis, com remuneração e atribuições razoáveis desde o início, mas têm avanços lentos. Já na advocacia privada, a estabilidade é rara, mas as carreiras podem ter crescimento mais vertical, a depender de uma combinação de fatores: ótimo desempenho profissional, capacidade de liderança, permanente disponibilidade para atender os clientes, honestidade pessoal e profissional, além de variadas e sempre renovadas relações sociais. Dependerá, também, de… alguma sorte. Mas sempre teremos que estar preparados para aproveitar as oportunidades que a sorte eventualmente oferecer!

Por que os advogados são (cada vez mais) indispensáveis no mundo atual? Qual o seu papel na sociedade?

Os advogados podem atuar nos mais diversos contextos e são cada vez mais imprescindíveis no atual mundo globalizado, complexo e competitivo. Trata-se de uma profissão que resistiu às mais radicais transformações históricas e continua presente e atuante em todos os setores da vida social. E aquilo que pode significar uma disfunção social, que são as excessivas conflituosidade e litigiosidade, acaba por ampliar a importância dos advogados. Estes assumem, então, uma função social pacificadora.

Qual o perfil de um bom advogado? Quais os traços de personalidade que são imprescindíveis nele?

A advocacia é suficientemente variada para comportar perfis e personalidades muito diferentes, mas a capacidade de trabalhar em cooperação com outras pessoas sempre é necessária. Com frequência, é também fundamental a capacidade de trabalhar dentro de uma estrutura hierarquizada, submetendo-se a práticas e valores institucionais ou definidos por uma chefia ou liderança. Mesmo assim, autonomia, iniciativa e criatividade sempre são valorizadas. Mas os muito individualistas, os “rebeldes sem causa” ou os indisciplinados encontram dificuldades nos ambientes jurídicos.

É importante que um advogado, além do conhecimento técnico, procure expandir o seu conhecimento para outras ciências. Quais os assuntos que ele precisa dominar dentro do Direito e quais as áreas nas quais é bom buscar mais informações?

Embora as exigências dos concursos e das carreiras variem muito, não há como fugir do Direito Constitucional e do Direito Civil, que são a espinha dorsal do direito. Os princípios elementares do Direito Processual são igualmente essenciais. Mas também são muito importantes, principalmente para as carreiras públicas, o Direito Administrativo e o Direito Penal. Para quem pretender seguir carreira ligada à justiça trabalhista, que é especializada, o Direito e o Processo do Trabalho são essenciais. Já em outros campos científicos, seria de mencionar a economia (juntamente com a administração, ambas muito úteis), a sociologia, a história e a filosofia. Um bom inglês e algum espanhol são importantes. E acima de tudo é imprescindível conhecer a língua portuguesa, sabendo ler e escrever impecavelmente!

Qual a importância de se especializar em uma área para ter sucesso na profissão?

Os bons advogados encontram lugar em qualquer ramo da advocacia. Mas na advocacia privada vem se tornando obrigatória, cada vez mais, a combinação de conhecimentos jurídicos sólidos com habilidade para reconhecer as boas oportunidades profissionais. E estas oportunidades profissionais acabam impondo uma crescente especialização. Mas apesar disso, a tendência à especialização é mais aparente do que verdadeira: os bons advogados são aqueles que dominam as questões fundamentais do direito, sabendo aplicá-las na solução de problemas específicos.

Quais as vantagens e desvantagens da carreira na tua opinião?

Os principais desafios estão ligados à natureza cooperativa e social do direito, pois ninguém consegue nada sozinho: tudo depende da atuação combinada de várias pessoas. É complicado, também, lidar com a longa duração dos processos e as elevadas expectativas e cobranças dos clientes. As vantagens são aquelas inerentes às boas causas: dá gosto trabalhar pelo direito e pela justiça, e ainda por cima obter o reconhecimento e a remuneração condizentes.

Como é o mercado para os recém formados? É difícil se inserir?

O mercado é aberto e dinâmico, mas muito competitivo. Não é difícil se inserir, embora a remuneração inicial tenda a ser baixa, em razão da grande oferta de recém (e não tão “recém”!) formados.

O que os alunos podem fazer durante a faculdade para se tornarem profissionais melhores?

Durante a faculdade, é fazer o básico: comparecer a todas as aulas (hoje em dia é cada vez mais raro!), ler os livros recomendados, estudar mesmo naquelas disciplinas pelas quais não nos interessamos, complementar os estudos com seminários, congressos e outras atividades extra-classe, e buscar um estágio o quanto antes. Depois, a continuação dos estudos é sempre de rigor, já que a carreira impõe o enfrentamento de novos problemas todos os dias. Mas como geralmente é difícil se disciplinar para o estudo, a pós-graduação ajuda bastante. Para quem quiser basicamente se atualizar, a especialização é o ideal, de preferência bem específica (desconfie das “especializações” muito amplas, que contrariam o próprio nome!). Já para aqueles que tiverem maiores pretensões acadêmicas, aspirando a dar aulas em faculdades, o mestrado e depois o doutorado são caminhos obrigatórios. Aliás, a carreira de professor de Direito também é muito interessante, especialmente se for levada conjuntamente com a de advogado!

Cite um mito e uma verdade sobre a profissão do advogado.

É um mito aquela figura do advogado “gritão” e “brigão”: a verdade é que o advogado deve ser bom de briga, mas deve antes empregar as suas habilidades para, da forma mais serena possível, tentar evitá-la.

Indique um livro e/ou um filme relacionado à profissão do advogado.

Um filme espetacular é “Tempo de matar” (A time to kill, 1996, Joel Schumacher). Um livro impressionante - não propriamente sobre a advocacia, mas sobre o sistema da justiça penal -, foi recentemente editado no Brasil: “Ressurreição”, de Leão Tolstói (Trad. Rubens Figueiredo, CosacNaify, 2010).

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