Arquivo de junho, 2010.

A desigualdade na raiz da Constituição Postado em 30 de junho de 2010, por Luiza Piffero. 3 comentários

Como pode um Estado que, pela Constituição, se diz democrático e de direito tratar as pessoas de maneira desigual? Não é mistério que, no Brasil, certos grupos são tratados severamente, enquanto outros o são de maneira leniente. Afinal os indivíduos pobres, sem moradia ou desempregados praticamente compõem a população prisional. Já os segmentos sociais mais poderosos seguem impunes com crimes como corrupção, fraudes e sonegação. Esse tratamento ilegítimo e desigual é o ponto de partida da tese de doutorado defendida pelo professor da FMP Bruno Heringer.

Batizada de “Construção e (des)igualdade: a ilegitimidade da gestão diferencial da criminalidade no marco do estado democrático e social de direito”, a tese de Heringer procura mostrar que a própria lei, ao criminalizar, já prepara o terreno para esse tratamento discriminatório. “A Lei 8.137/90, que trata dos crimes tributários e econômicos, por exemplo, ela mesma impede a efetividade das punições que prevê”, aponta o professor, acrescentando que, pelo levantamento de dezembro de 2009, não havia ninguém cumprindo pena de cadeia por infração a essa lei em todo o País. Heringer considera que, dessa maneira, cria-se uma atividade legislativa ideológico-dissimuladora, que apregoa punir a todos igualmente, mas o faz de modo seletivo.

Após quatro anos de pesquisa orientados pelo professor  Lenio Luiz Streck, Bruno Heringer defendeu sua tese em 18 de maio deste ano. “Além de revelar esse fenômeno perverso, a tese sugere medidas para que o próprio Poder Judiciário possa ir corrigindo as distorções legislativas, de modo a construir-se um Estado mais justo”, afirma o professor. Quem não cursa as disciplinas Direito Penal I e II, ministradas por Heringer, poderá conhecer melhor o trabalho do professor quando a tese for publicada, possivelmente no próximo ano.

O promotor de Justiça Bruno Heringer

O Promotor de Justiça Bruno Heringer

Entre o Brasil e a Itália Postado em 25 de junho de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

Não é por acaso que a professora Sandra Vial ministra a disciplina “Globalização e Economia” na FMP. Com uma rede de contatos internacionais, ela empreende pesquisas no exterior, principalmente na Itália, país onde realizou o doutorado em Evoluzione dei Sistemi Giuridici e Nuovi Diritti, pela Università Degli Studi di Lecce (2001), e onde é professora visitante, na Scuola Dottorale Internazionale Tullio Ascarelli. Recentemente, ela conquistou uma bolsa de estudos de pós-doutoramento financiada pela União Européia que a levou para a Universidade de Salerno.

“Por que isso é importante? Desde a antiguidade, os filósofos  tinham a necessidade de se movimentar em busca de conhecimento. Assim tu consegues enxergar a tua realidade através de outras realidades”, defende a professora Sandra. Os três meses que Sandra passou em Salerno lecionando e desenvolvendo estudos também geraram a oportunidade de formular outro projeto. Ela se aliou a um grupo de professores italianos para apresentar uma proposta de pesquisa a partir do seguinte questionamento: “É possivel a democracia na sociedade global?”. “Queremos ver como se dá a evolução da democracia em países avançados e países periféricos e para isso vamos analisar o comportamento das políticas públicas nos últimos dez anos”, explica. Até o final do ano, ela será informada se a União Européia irá financiar o projeto.

Professora Sandra Vial

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Professor publica Comentários à Constituição do RS Postado em 24 de junho de 2010, por Luiza Piffero. 1 comentário

Buscando valorizar e lançar uma visão aprofundada sobre o Direito Estadual, o professor da FMP Bruno Miragem se uniu ao jurista Aloísio Zimmer para escrever o livro “Comentários à Constituição do Estado do Rio Grande do Sul”. É a primeira vez que a constituição estadual vigente ganha uma obra inteiramente dedicada a comentá-la, e apenas a terceira vez na história de todas as constituições rio-grandenses (sendo as anteriories “A Constituição de 1935 anotada por M.C.”, de Joaquim Maurício Cardoso, de 1935; e “Constituição política do Estado do Rio Grande do Sul, Comentário”, de Joaquim Luis Osório, de 1911). Com 944 páginas, a obra atual foi publicada pela editora Forense em abril deste ano.

Editora Forense

“É um instrumento de reflexão teórico e prático. Muitos funcionários trabalham com a constituição estadual sem poder contar com um estudo consolidado do texto”, afirma Miragem. Ao escrever a obra, os autores abordaram tanto as instituições e programas normativos em sua generalidade quanto temas específicos, citando as peculiaridades e singularidades da Constituição de 1989. “A Constituição do RS tem muitos aspectos distintos. Em matéria de proteção do meio ambiente, por exemplo, avançou muito em relação a Constituição Brasileira. Tamém é detalhista ao extremo ao discorrer sobre o regime dos servidores públicos, o que sempre gera novas polêmicas”, explica Miragem. Uma das grandes contribuições do livro é justamente expor as divergências em torno de questões polêmicas na Constituição. “Nós buscamos dar a nossa opinião, sem deixar de buscar outras linhas de entendimento e garantir a pluralidade”.

O advogado e professor da FMP, Bruno Miragem

O professor Miragem recomenda o livro a agentes públicos estaduais ( procuradores, gestores), estudantes que buscam concurso na área estadual e demais interessados.

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Aprenda a pesquisar com o Laboratório de Iniciação Científica Postado em 23 de junho de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

A pesquisa faz parte da rotina de quem estuda e trabalha com Direito e é por isso que os professores da FMP se desdobram para incentivar a prática. Neste semestre, implementamos mais uma oportunidade que segue essa linha: o Laboratório de Iniciação Científica. Hoje, 20% dos alunos da FMP estão envolvidos com projetos de pesquisa dentro da faculdade. O Laboratório é a chance para que todos os outros aprendam sobre a prática, investiguem o assunto de sua escolha e mais tarde ingressem em um dos grupos formais de pesquisa.

Do primeiro ao último semestre, todos os alunos da graduação da FMP podem se inscrever no Laboratório. Lá, eles poderão contar com um time de tutores que inclui, por exemplo, os professores Itiberê Rodrigues, Maren Guimarães, Betânia Alfonsin e Eduardo Carrion. “Queremos propiciar a todos os acadêmicos uma experiência de pesquisa e desenvolver uma cultura de investigação desde o início do curso”, explica o coordenador da graduação, o promotor Jayme Weingartner Neto.

Durante as tutorias, os alunos poderão desenvolver habilidades necessárias para pesquisas formais que serão exigidas ao longo do  curso, como a montagem de fichas bibliográficas, a consulta de revistas especializadas, a pesquisa de jurisprudência eletrônica dos tribunais superiores e a organização de uma abordagem de estudo que problematiza questões. As tutorias podem, inclusive, antecipar os estudos da monografia do aluno que, antes do oitavo semestre, já souber o que deseja abordar no trabalho.

Como funciona: implementado no mês de abril, o Laboratório vai sempre publicar um edital informando os professores disponíveis para a tutoria de pesquisa, que consiste em encontros individuais com o professor realizados a cada 15 dias. Para participar, os alunos devem escolher um campo de pesquisa e se inscrever na secretaria. Ao final de cada semestre, o professor certifica o número de horas que o aluno investiu na pesquisa e estas poderão ser utilizadas como atividades complementares.

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A passagem de Luigi Ferrajoli pela FMP Postado em 18 de junho de 2010, por Luiza Piffero. 1 comentário

O acadêmico Luigi Ferrajoli em palestra para os alunos da FMP

O acadêmico Luigi Ferrajoli em palestra para os alunos da FMP

Quem estuda Direito sabe quem ele é. Mas quem estuda Direito na FMP conheceu Luigi Ferrajoli. O acadêmico de renome internacional, um dos maiores juristas vivos, é um parceiro que a Fundação traz ao Brasil periodicamente. Ele já foi magistrado na Itália e, hoje, com inúmeras obras publicadas em italiano, inglês, espanhol e português, é professor de Filosofia do Direito e Teoria do Direito na Università Roma Tre. Convidamos o aluno Amarildo Pedro Cenci para nos contar como foi a última visita de Ferrajoli à Porto Alegre, no final do ano passado.

A palestra de Luigi Ferrajoli lotou o auditório da OAB

A palestra de Luigi Ferrajoli lotou o auditório da OAB

Os alunos da FMP tiveram a oportunidade de conhecer Ferrajoli durante uma palestra exclusiva na qual ele discorreu sobre o tema “O Paradigma da Democracia Constitucional no Mundo Contemporâneo”. A simplicidade do palestrante chamou a atenção de Cenci, que é um leitor assíduo de suas obras: “Eu leio muito ele, é uma pessoa bastante citada pelos criminalistas”, comenta Cenci, “a expectativa para vê-lo estava tão grande que o auditório lotou e muita gente não conseguiu entrar”, completa. A nosso pedido, Cenci elegeu alguns destaques da palestra:

“A consolidação de direitos não é permanente, é um processo. Assim como os direitos existem, eles também podem ser suprimidos. Mesmo em países desenvolvidos como a própria Itália, uma sociedade democrática, Ferrajoli deixou claro que há processo de involução. O processo de defesa do Direito não é um caminho só de ida”, recorda Cenci.

Outra questão que o estudante destacou da palestra é o surgimento de novos direitos que precisam ser considerados. “Hoje temos direitos básicos que até o século XIX não eram considerados fundamentais. Assim como há o direito à liberdade, à alimentação, atualmente temos que lutar pelo direito à comunicação, pelo acesso à cultura, por um meio ambiente saudável”, ressalta o estudante.

O roteiro de Ferrajoli em Porto Alegre

Além da palestra aos alunos, Luigi Ferrajoli realizou a abertura de uma reunião de professores na FMP, onde pode trocar ideias com o corpo docente da faculdade. Ao participar de uma conferência no Ministério Público, Ferrajoli falou sobre o tema “Garantismo e Gestão Pública”. Logo no começo da palestra, o italiano se confessou admirador da Constituição Brasileira e do Ministério Público, uma instituição completamente nova em relação a tradição européia. Mais além, discursou sobre a garantia dos direitos humanos e a separação dos três poderes.

Esse post acaba da mesma forma como Ferrajoli encerrou a sua palestra, com palavras inspiradas: “ (…) a construção da democracia é a construção de suas garantias, é um processo complexo, um processo interminável; existirá sempre espaço para o direito ilegítimo e o maior defeito, mas também a maior qualidade, porque somente no direito absoluto é tudo válido, porque um sujeito no limite permite uma construção que todos nós temos a responsabilidade”. A transcrição completa da palestra está disponível na internet, clique aqui para ler.

Ferrajoli se reune com o corpo docente da FMP

Ferrajoli se teúne com o corpo docente da FMP

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Profissão: Delegado de Polícia Postado em 17 de junho de 2010, por Luiza Piffero. 14 comentários

O delegado de polícia presta um serviço inestimável à sociedade. É dele a responsabilidade de apurar delitos, responsabilizar aqueles que despespeitaram as normas de conduta e, com isso, contribuir para a redução dos indicadores de criminalidade. Buscando esclarecer os estudantes interessados na carreira, o Blog da FMP recorreu à experiência do delegado Antonio Carlos Pacheco Padilha. Como diretor do Departamento de Planejamento, Projetos e Convênios da Secretaria de Segurança Pública (DPLAN-SSP), ele fornece um panorama da profissão de delegado:

Descreva a rotina do delegado de polícia e as principais atribuições da profissão.

O dia-a-dia do Delegado de Polícia é bem movimentado. É evidente que as atividades diárias serão mais ou menos intensas dependendo do Órgão de lotação. No entanto, mesmo em cidades pequenas, as atividades diárias são as mais diversas, de modo que uma das características da função é a absoluta falta de monotonia, o que sem dúvida alguma é muito gratificante. Além de gerenciar toda a parte de funcionamento administrativo da Delegacia de Polícia (gestão de pessoas, de material, de despesas, etc.), há o desempenho da atividade precípua do Delegado de Polícia, qual seja conduzir os procedimentos policiais (Inquérito Policial, Termo Circunstanciado e Procedimento Especial para Adolescente). A condução das investigações, sem qualquer sombra de dúvida, é a atividade mais dinâmica, e exige uma certa dose de perspicácia e de muito boa técnica de investigação. Penso que o Delegado de Polícia, em razão da importância do cargo, deve manter estreitas relações com os demais Poderes e Instituições.

Qual o caminho a percorrer para se tornar delegado?

O caminho para se tornar delegado de polícia é único, qual seja, possuir o diploma do curso de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais (Direito) e a aprovação em concurso público. O concurso público dependerá, por evidente, das exigências estabelecidas no edital. No Rio Grande do Sul tem-se exigido a aprovação em provas objetiva, dissertativa, oral e física. Com a aprovação nas etapas anteriores, o(a) candidato(a) deverá se submeter ao exame psicotécnico. Após, deverá ser aprovado no curso de formação de delegado de polícia.

Como está estruturada a carreira e a evolução do profissional até ele se tornar delegado e quais as possibilidades de crescer mais depois disso?

A carreira de delegado de polícia, em verdade, é única. Há uma divisão de classes, ingressando-se na 1ª e progredindo-se, por meio de promoções por mérito e antiguidade, para as classes seguintes (2ª, 3ª e 4ª, esta a última da carreira).

Quais são os atributos essenciais para se tornar um bom delegado?

Entendo que os atributos essenciais estão relacionados com a gestão de pessoas, o conhecimento jurídico e das técnicas de investigação. Importante, também, é a capacidade de gerenciar crises.

Quais os principais desafios da profissão?

Acredito que os principais desafios estão relacionados com a contribuição para a redução dos indicadores de criminalidade. Evidente que a redução dos indicadores de criminalidade não dependem, apenas, da atuação do delegado de polícia. No entanto, ao desempenhar sua função com eficiência e eficácia, ele inegavelmente estará contribuindo para tanto.

Entre os problemas que a classe dos delegados enfrenta, quais são os maiores?

Os principais problemas, a meu juízo, estão relacionados com a ausência de garantias da inamovibilidade e da vitaliciedade. Outrossim, entendo que deveria ser garantido o princípio institucional da independência funcional e que a escolha do Chefe de Polícia deveria ocorrer pelos integrantes da classe.

Quais benefícios tu destacarias na profissão?

A estabilidade oferecida pelo serviço público inegavelmente é um dos benefícios apresentados por qualquer função pública. A possibilidade de servir ao público – princípio condutor da postura profissional de quem ingressa no serviço público – também, é um benefício do cargo de Delegado de Polícia. É imensa a satisfação de podermos apontar a autoria e a materialidade de um delito, prestando este relevante serviço à sociedade.

O salário do delegado de polícia está vinculado aos salários do Ministério Público? Qual o salário-base da classe?

Não, o salário dos delegados de polícia não está vinculado aos salários dos promotores de justiça. Quando ingressei na carreira, em 1999, havia pouca diferença entre os vencimentos dos delegados de polícia e os de promotores de justiça e juízes de direito. No entanto, ao longo dos anos, foram sendo concedidos aumentos ao membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, não ocorrendo o mesmo com os delegados de polícia (houve aumento, mas em percentuais bem inferiores). Há um movimento, no país, visando o reconhecimento da carreira de delegado de polícia como sendo integrante das carreiras jurídicas. Essa medida, sem dúvida alguma, irá proporcionar avanços significativos para a carreira. No início da carreira, os delegados de polícia estão percebendo em torno de R$ 7.100,00.

Qual a recomendação que tu gostarias que tivessem te dado quanto tu ainda eras estudante?

Aproveite bem o curso de formação e procure explorar os professores ao máximo, na medida em que aquela etapa do concurso é o momento adequado para se adquirir conhecimentos técnicos que não são transmitidos, por evidente, durante a faculdade de direito. Outrossim, aproveite para visitar delegacias de polícia a fim de verificar, na prática, o funcionamento do órgão policial.

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Uma médica apaixonada pelas leis Postado em 16 de junho de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

A aluna Simoni

Simoni Tarter da Silveira, a médica legista que é apaixonada pelo Direito

A FMP é o lugar de quem estuda Direito. Mas também é lugar de gente que enveredou por outra carreira e é apaixonado pelas leis. Esse é o caso da Simoni Tarter da Silveira, uma aluna da graduação da FMP que todas as semanas viajava desde Nova Prata, sua cidade, até Porto Alegre para assistir as aulas. No entanto, a sua rotina acaba de mudar: Simoni vai deixar o oitavo semestre do Direito, pois passou em um concurso para atuar como médica legista em Belém do Pará. Antes de viajar, esta aluna tão atípica troca umas palavras com o Blog da FMP:

De onde veio a tua vontade de estudar Direito?

Quando fiz vestibular para medicina na FFFCMPA, também fiz na PUCRS, mas para Direito (passei no quarto lugar). Porém, fiz uma escolha contextualizada e planejei cursar mais tarde.

O que tu mais gostas na área?

O biodireito, mas no contexto do Direito Público.

Quais as concessões que tu tiveste que fazer para acomodar o interesse pelo Direito na tua rotina?

Nenhuma, porque foi planejado. Eu sinto que todo o conhecimento e experiência de trabalho e de vida vai agregando condições de valorar cada vez melhor cada nova escolha.

Como tu te sentes ao ter que deixar o curso da FMP?

Sinto vontade de voltar. Quem sabe para alguma especialização.

Como estão os preparativos da mudança para Belém do Pará?

Agora está tudo organizado e resolvido. Mas, sem mudança. Estou levando pertences pessoais somente.

Tu vais continuar em contato com o universo do Direito?

Esta foi a escolha que o tempo manteve e agora está com mais condições de se realizar.

O que tu mais gostas neste campo de conhecimento?

A importância da interlocução entre as ciências, sobretudo.

A carreira jurídica tem algo em comum com a carreira de médica?

Penso que há similaridades entre ambas. Porém, ainda é preciso um maior reconhecimento e reciprocidade para que um trabalho em conjunto torne projetos realizáveis de modo mais eficaz.

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Questões comentadas de Geografia Postado em 11 de junho de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

É isso aí. Estamos na reta final do Vestibular de Inverno da FMP, mas antes de você encarar esse momento decisivo, a gente lhe passa as últimas dicas. Hoje trazemos algumas questões comentadas de Geografia que foram aplicadas aos candidatos em 2009.

Boa prova a todos!

01. Em 2009, o Rio Grande do Sul registrou no mês de abril precipitações bem abaixo das médias normais, resultando em grandes prejuízos, principalmente no setor primário. Essa estiagem é decorrente:

A. do fenômeno El Niño.
B. da Inversão Térmica.
C. das Ilhas de Calor.
D. do fenômeno La Niña.
E. da Eutrofização.

Resposta e comentário
:

Alternativa D.

Sabemos que os fenômenos que influenciam no regime das chuvas são o El Niño e a La Niña. O El Niño aumenta o regime das chuvas para o Rio Grande do Sul, enquanto que a La Niña nos traz a estiagem que acaba por refletir diretamente na agricultura e na pecuária.

02. Um dos fatos mais importantes no cenário político internacional foi a eleição do presidente Barack Obama. Uma de suas metas é uma maior aproximação com o Oriente Médio. Sobre a região é incorreto afirmar:

A. Foi palco da guerra do Golfo.
B. É uma região sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos.
C. Apresenta conflitos históricos como entre israelenses e palestinos.
D. Apresenta muita tensão entre os grupos separatistas IRA e ETA.
E. A economia é baseada no petróleo.

Resposta e comentário:

Alternativa D.

Sobre o Oriente Médio: é a região sagrada para as três grandes religiões monoteístas do planeta, sua economia baseia-se no petróleo, possui inúmeros conflitos (palestinos X israelenses e sucessivas guerras do Golfo). Mas os grupos separatistas mencionados: IRA e ETA não agem nesta região.

O IRA é o grupo separatista da Irlanda do Norte, onde o conflito é entre católicos e protestantes, já o ETA, é o grupo basco que luta pela formação de um país próprio separado da Espanha.

03. O governo brasileiro está analisando a melhor maneira de administrar as reservas de petróleo encontradas no pré-sal. Sobre esse assunto é correto afirmar:

A. A partir da descoberta dessa grande reserva o Brasil será o maior produtor de petróleo mundial.
B. Essa reserva está localizada em todo o litoral brasileiro.
C. O petróleo é considerado uma fonte de energia não-renovável.
D. A descoberta beneficiará principalmente os estados onde a reserva está localizada, principalmente o estado de Goiás.
E. No pré-sal não é possível a existência de gás natural porque sua formação não está ligada à formação do petróleo.

Resposta e comentário:

Alternativa C.

Este é um assunto muito atual, pois nos remete as questões relacionadas ao pré-sal. O fato de termos descoberto as reservas ainda não nos faz o maior produtor de petróleo, pois o acesso ao pré-sal não é tarefa fácil. Não está localizado em todo o litoral brasileiro, concentra-se no litoral do sudeste, portanto Goiás não será beneficiado, pois fica na região Centro-Oeste. No pré-sal localizamos tanto reservas de petróleo quanto de gás natural. Portanto, resposta correta letra C, pois o petróleo é um recurso não-renovável, em função do longo período que leva para se formar.

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Questões comentadas de História Postado em 10 de junho de 2010, por Luiza Piffero. 1 comentário

É semana de vestibular, por isso a gente continua com a série de questões comentadas para dar uma mão aos vestibulandos. Hoje você envereda pelas Cruzadas, pelos tratados ultramarinos e também pela Primeira Guerra Mundial. Amanhã traremos algumas questões de Geografia. Bons estudos!

01. As Cruzadas, a expansão marítima e o imperialismo fazem parte de um mesmo processo histórico.

RAZÃO:

As Cruzadas, a expansão marítima e o imperialismo tinham como meta a divulgação do cristianismo levando “a fé aos infiéis” e os europeus se diziam portadores de uma missão civilizadora, humanitária, filantrópica e cultural, cujo objetivo era o de melhorar as condições de vida das regiões para onde se dirigiam.

A) Asserção correta, razão correta, e a razão justifica a asserção.

B) Asserção correta, razão correta, mas a razão não justifica a asserção.

C) Asserção correta, razão errada.

D) Asserção errada, razão correta.

E) Asserção e razão erradas.

Resposta e comentário:

Alternativa C. Asserção correta, razão errada.

As Cruzadas, a expansão marítima e o imperialismo fazem parte de um mesmo processo histórico porque são fases da expansão capitalista. Contribuíram no processo de consolidação do capitalismo.

As Cruzadas tinham como objetivo libertar os lugares sagrados do cristianismo que estavam nas mãos dos muçulmanos. Sua principal conseqüência foi a reabertura do Mediterrâneo reativando os contatos comerciais entre Ocidente e Oriente.

A expansão marítima possibilitou a recuperação e ampliação do comércio europeu trazendo enormes lucros aos grupos mercantis que puderam aumentar seus capitais, reinvestindo-os em novos negócios.

O imperialismo do século XIX também trouxe enormes lucros para as metrópoles e soluções para as necessidades ocasionadas pelo crescimento industrial, como ampliação de mercados, locais para aplicação de capitais excedentes, fontes de matérias-primas e obtenção de áreas estratégicas.

02. Observe o mapa a seguir:

Julgue as afirmações abaixo a respeito dos tratados ultramarinos, assinados entre Portugal e Espanha, no século XV.

(01) Em 1493, O papa Alexandre VI editou a Bula Intercoetera, que determinava a partilha do mundo ultramarino entre espanhóis e portugueses. Um meridiano situado a 100 léguas a Oeste do arquipélago de Cabo Verde destinava a Espanha todos os territórios situados a leste, e a Portugal, as terras localizadas a oeste do meridiano.

(02) Sentindo-se prejudicados com a Bula Intercoetera, os espanhóis contestaram esse tratado e exigiram sua reformulação: em 1494, o Tratado de Tordesilhas substituía a linha divisória anterior por outra situada 370 léguas a oeste de Cabo Verde.

(04) As razões do estabelecimento da linha divisória do Tratado de Tordesilhas devem-se a disputa entre Portugal e Espanha pela conquista de territórios descobertos ou a descobrir, após a chegada de Colombo ao Novo Mundo, seguindo a rota ocidental.

(08) Alguns países da Europa, como a França, contestavam o Tratado de Tordesilhas porque foram excluídos da partilha do novo mundo.

(16) Com o Tratado de Tordesilhas tornavam-se mais amplas para Portugal as possibilidades de conquistar terras no Atlântico ocidental.

A soma dos números que precedem apenas as afirmações corretas é:

A) 15.

B) 19.

C) 28.

D) 30.

E) 31.

Resposta e comentário:

Alternativa C. Afirmações (04), (08) e (16): verdadeiras. Soma: 28.

Afirmação (01): falsa. Em 1493, O papa Alexandre VI editou a Bula Intercoetera, que determinava a partilha do mundo ultramarino entre espanhóis e portugueses. Um meridiano situado a 100 léguas a Oeste do arquipélago de Cabo Verde destinava a Portugal todos os territórios situados a leste, e à Espanha, as terras localizadas a oeste do meridiano.

Afirmação (02): falsa. Sentindo-se prejudicados com a Bula Intercoetera, os portugueses contestaram esse tratado e exigiram sua reformulação: em 1494, o Tratado de Tordesilhas substituía a linha divisória anterior por outra situada 370 léguas a oeste de Cabo Verde. Os portugueses já tinham conhecimento da costa brasileira e queriam assegurar a sua posse.


03. Em 1917 a Rússia estava praticamente derrotada e somente a Inglaterra e a França resistiam. O grande temor da Entente tornou-se um ataque maciço alemão contra a França, mas esse perigo foi contrabalançado pela entrada dos Estados Unidos na Guerra.

A entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, em 1917, ao lado da Tríplice Entente, com seu imenso potencial industrial e humano foi decisivo para o desfecho da guerra.

Analise as afirmações sobre a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial.

I. Os Estados Unidos sentiram-se ameaçados pela agressividade marítima alemã quando do afundamento do seu transatlântico Lusitânia e do navio Vigilentia, o que serviu de pretexto para a declaração de guerra às potências centrais.

II. O Japão, ambicionando a plena hegemonia no Pacífico oriental e dando prosseguimento ao seu expansionismo, atacou Pearl Harbor, a maior base naval norte-americana no Pacífico sul, precipitando a entrada dos Estados Unidos na guerra.

III. Os Estados Unidos, desde o início do conflito, financiaram o esforço de guerra franco-inglês, mas uma possível derrota da Entente colocaria em risco os investimentos norte-americanos na Europa, o que levou o governo dos Estados Unidos a abdicar de sua neutralidade.

IV. O governo norte-americano considerava fundamental para sua segurança,  a manutenção do equilíbrio entre as potências européias e, caso a Entente fosse derrotada, o Império Alemão assumiria a completa hegemonia sobre o território europeu.

Quais estão corretas?

A) Apenas I e II.

B) Apenas I e III.

C) Apenas  II e IV.

D) Apenas I, II e III.

E) Apenas I, III e IV.

Resposta e comentário:

Alternativa E. Afirmações I, III e IV estão corretas. Os Estados Unidos financiaram o esforço de guerra franco-inglês, mas uma possível derrota da Entente colocaria em risco os investimentos norte-americanos na Europa, o que levou o governo dos Estados Unidos a entrar na guerra, usando como pretexto o afundamento de seus navios. Também pretendiam assegurar a vitória da Entente para manter o equilíbrio europeu.

Afirmação II: falsa. O ataque japonês a Pearl Harbor levou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra Mundial.

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Questões comentadas de Português Postado em 7 de junho de 2010, por Luiza Piffero. Seja o primeiro a comentar

Falta menos de uma semana para o dia do Vestibular, 12 de junho, e por isso o Blog da FMP dá continuidade a publicação das questões comentadas em provas anteriores. Leia o texto abaixo e preste atenção nas observações da Profª Suzana Rehmenklau:

O mundo acústico dos adolescentes

  1. Se se fizesse um concurso para escolher a imagem mais típica de nossa
  2. época, eu não tenho dúvida de que seria escolhida a foto de um adolescente
  3. com fones no ouvido. É o equipamento eletrônico mais usado _____dos 13
  4. anos e estou seguro de que dentro de algumas gerações os jovens já nascerão
  5. com estes fones em lugar de orelhas.
  6. É preciso dizer, contudo, que nem sempre os adolescentes recorrem aos
  7. fones por iniciativa própria. Muitas vezes, trata-se de uma imposição familiar.
  8. Há, entre pais e filhos, uma luta permanente sobre o som. Em primeiro lugar, o
  9. volume: não há tímpano adulto que aguente os decibéis mobilizados pela
  10. puberdade; depois, o tipo de música. Se se tratasse de Mozart versus
  11. Sepultura (o nome me parece muito ________), tudo bem. Mas eles não
  12. gostam dos Beatles! Deus, até os Beatles já são coisa do passado! É preciso
  13. se resignar, porém. Como faz um amigo meu: cada vez que o filho, de 16 anos,
  14. lhe pergunta (sempre com ironia) que música é para colocar no CD ele
  15. responde: “Qualquer coisa de que você NÃO goste”.
  16. Existe, portanto, uma cumplicidade entre o criminoso e a vítima, quem
  17. quer que seja o criminoso e quem quer que seja a vítima. Ao colocar os fones,
  18. o adolescente consuma uma cisão amplamente desejada, que tem uma
  19. dimensão até existencial: dois mundos criam-se então. Um é o mundo da
  20. música jovem, o mundo do ritmo frenético, o mundo que, graças aos fones,
  21. está em perfeita continuidade com o universo interior do adolescente. O outro é
  22. o mundo de fora, o mundo do colégio, o mundo das obrigações, o mundo do
  23. “arruma teu quarto”, o mundo do “hoje tu não escapas do banho”. Os fones
  24. isolam os adultos. Agora: imaginem se os pais também colocassem os fones,
  25. sobretudo na hora do “quero a minha semanada”.
  26. Não, os pais não podem fazer isto. E também não podem fazer nada
  27. contra os fones. Um outro amigo meu pensou em gravar uma fita cassete com
  28. aquelas recomendações que estão afixadas em muitos escritórios, tipo, “Você
  29. abriu, feche, você desarrumou, arrume”, etc. para colocá-la sub-repticiamente
  30. no walkman do filho. Só não fez isto ______ o rapaz seria capaz de imaginar
  31. que o pai tinha comprado uma fita de rap. Os pais não ____escapatória. Só se
  32. salvarão no dia em que o Senhor, para dar lições à humanidade, falar
  33. diretamente através dos fones dos jovens.

(Moacyr Scliar – Jornal Zero Hora, 05-05-2009 – adaptação)

01. A alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas de traço
contínuo (linhas 03, 11, 30 e 31) é

(A) a partir – apropriado – por que – têm
(B) a partir – apropriado – porque – têm
(C) à partir – apropiado – por que – tem
(D) apartir – apropriado – por que – tem
(E) à partir – apropiado – porque – têm

02. Considere a seguintes afirmações sobre a estrutura do texto.

I. No primeiro parágrafo, o texto apresenta a tomada de posição do autor diante do tema apontado no título.
II. O segundo e o terceiro parágrafos dão conta do desenvolvimento do texto, caracterizando o conflito entre as
gerações que o autor se propõe a detalhar, ampliar e exemplificar.
III. O parágrafo final fecha o texto através de uma referência a um aspecto religioso como possibilidade para resolver uma situação aparentemente sem solução.

Quais estão corretas?

(A) Apenas a I.
(B) Apenas a II.
(C) Apenas a III.
(D) A I e a III.
(E) A I , a II e a III.

03. Assinale a alternativa em que há uma associação incorreta entre o pronome e a palavra que ele substitui no texto.

(A) eles (l. 11) – adolescentes (l. 06)
(B) lhe (l. 14) – filho (l. 13)
(C) que (l.18) – cisão (l. 18)
(D) que (l. 28) – recomendações (l. 28)
(E) la (l. 29) – fita cassete (l. 27)

Respostas e comentários:

1. B

Esta questão aborda a ortografia (sistema oficial vigente) da locução “a partir” e do adjetivo “apropriado” (derivada de “próprio”). Aborda, também, o emprego correto dos “porquês”. Neste caso, “porque” significa, no texto, pelo fato de que, pois na linha 30 há uma justificativa para a oração: “Só não fez isso”. Já o verbo ter é grafado com acento circunflexo para concordar com o sujeito plural – “os pais” (linha 31).

2. E

Quanto a questões que exigem a compreensão do texto, é importante ressaltar que o vestibulando deve prender-se unicamente ao que o autor “diz”, ou àquilo que está implicitamente colocado, ou, ainda, ao seu conhecimento de mundo . Não há a possibilidade de “imaginar”, “divagar” ou “ter uma opinião pessoal”, pois o que se pede no enunciado é puramente o entendimento das ideias do autor, e não as do candidato. Assim, no item I, na linha 02, o autor toma uma posição que confere com o título ao “dizer”: eu não tenho dúvida de que seria escolhida a foto de um adolescente com fones no ouvido. A afirmação do item III é plenamente atendida, pois, pela leitura, verificam-se as seguintes colocações: Há, entre pais e filhos, uma luta permanente sobre o som/ dois mundos criam-se então/ Como faz um amigo meu: cada vez que o filho, de 16 anos, lhe pergunta (sempre com ironia) que música é para colocar no CD ele responde: “Qualquer coisa de que você NÃO goste”. O item III encontra respaldo nos seguintes trechos: Não, os pais não podem fazer isto. E também não podem fazer nada contra os fones./ Só se salvarão no dia em que o Senhor, para dar lições à humanidade, falar diretamente através dos fones dos jovens.

3. B

A associação incorreta está no pronome lhe que, no texto, refere-se ao pai, termo subentendido conforme o contexto: o filho pergunta ao pai (linhas 13 e 14).

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